O Tempo

Sunday, October 02, 2005

Como fugir das infiltrações

Problema é um dos mais graves verificados em áreas externas, mas há como escapar dele

Júnia Leticia


Responsável por grande parte dos transtornos que podem ocorrer em construções residenciais ou comerciais, sejam edifícios ou casas, a infiltração é um dos problemas mais graves verificados em áreas externas ou internas das edificações. Sua ocorrência pode estar relacionada à má execução ou deterioração do produto ou material impermeabilizante. Os sinais mais comuns de sua ocorrência são manchas nas paredes, bolhas e descamação da pintura.

A construção em solos úmidos é um dos fatores que causa a infiltração, como contou a arquiteta da D&P Arquitetura, Pascale Carsalade. Este tipo é denominado de infiltração por capilaridade. “A umidade pode penetrar pelas paredes da construção e invadir seu interior. Nesse caso, é necessário o tratamento na própria fundação direta. Às vezes, vale a pena fazer até mesmo um sistema de drenagem no terreno.”

Como são vários os fatores que podem ocasionar a infiltração, para cada caso existe um procedimento, de acordo com o engenheiro e diretor da ML Impermeabilizações, Marcus Lodi. “As infiltrações mais comuns ocorrem em lajes descobertas ou em paredes externas. Para essa circunstância, é necessário executar algum tipo de impermeabilização ou refazer a já existente.” De acordo com o engenheiro, o ideal é que o projeto de impermeabilização seja realizado em conjunto com outros projetos, como o elétrico, o hidráulico, de telefonia, arquitetônico, estrutural, entre outros, ainda na planta.

A dona de casa Divaner Margarida de Carvalho Lima já sofre com o transtorno há mais de 15 anos na casa em que mora, construída a cerca de três décadas. “Surgiu um problema na laje, que é maciça. Já colocamos mais cimento, mas mesmo assim há muito vazamento nas paredes, chegando a escorrer água. Nós já gastamos muito, fizemos muitos revestimentos, mas não resolveu nada. As paredes estão sempre úmidas. A única solução que nos foi apresentada é a de fazer o telhado e não apenas cobrir.”

De acordo com Lodi, a impermeabilização dura, geralmente, de 15 a 25 anos, dependendo do sistema utilizado. “Se a laje for exposta, tem de se fazer ou refazer a impermeabilização, porque ela tem um tempo de vida útil. E, com as chuvas, o problema ocorre com mais freqüência.”

Atualmente, a impermeabilização mais utilizada para lajes descobertas é a manta asfáltica. Trata-se de uma membrana asfáltica aluminizada que reduz em até 85% o calor e até 100% a umidade. A aplicação do sistema em superfícies não transitáveis, como telhados e pré-moldados, é o processo mais recomendado, pois reflete os raios solares, impedindo o ressecamento. Em superfícies transitáveis, utiliza-se a manta asfáltica com a sobreposição de uma camada de cimento que a proteja do ressecamento e danos mecânicos. “É um sistema seguro, confiável e com maior durabilidade. A manta asfáltica é aprovada e normalizada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”, ressaltou.

A manta asfáltica é à base de asfalto, polímeros e estrutura de poliéster. Pode ser apresentada nas versões convencional – com ambas as faces de asfalto – e alumínio – com lâmina de alumínio refletora de raios solares na face superior. “A diferença entre elas é que a de alumínio pode ser exposta ao tempo, enquanto a convencional não, pois envelhece”, esclareceu Lodi.

Para se colocar a manta asfáltica, o piso tem de ser preparado, como informou o engenheiro da ML Impermeabilizações. “É necessário quebrar a laje de cobertura e remover as camadas, para que o piso possa receber a massa.”

O engenheiro civil, mestre em Engenharia de Materiais, professor da disciplina Impermeabilizações do curso de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e perito na matéria junto às justiças Federal e Estadual, Clémenceau Chiabi Saliba Júnior, disse que os impermeabilizantes podem ser classificados em três categorias: os rígidos, os semi-rígidos e os flexíveis. “Os materiais rígidos são melhor utilizados em locais onde não há movimentação estrutural ou térmica, como banheiros, áreas frias e caixas d’água. Normalmente ele é composto de cimento ou argamassa polimérica. Um exemplo desse sistema é a cristalização."

Já os flexíveis são compostos por derivados do petróleo, como asfaltos modificados e mantas asfálticas. De acordo com Saliba Júnior, sua indicação de uso, na maioria das vezes, é em locais com grandes movimentações térmicas ou mecânicas, como áreas externas de pilotis, lajes sem cobertura e piscinas. "Os materiais semi-rígidos são intermediários entre os dois anteriores, apresentando alguma flexibilidade. De uso limitado, pode ser empregado na recomposição de fachadas com problema de infiltração. Um bom exemplo desses materiais são as argamassas poliméricas, produzidas à base de cimento e resina acrílica."

Saliba Júnior ressaltou que, como as infiltrações estão relacionadas à presença de água, a melhor época para se detectar o problema é durante o período de chuvas. “Uma definição simples diz que impermeabilização é uma atividade de engenharia – pois deve ser sempre elaborada e acompanhada por engenheiros – que visa determinar, por um determinado período de tempo, a rota de escoamento da água nas construções. Sendo assim, a melhor época do ano para compra de imóveis é durante as chuvas. Se for uma infiltração externa, por água das chuvas, não dá para ser detectada. Mas se for interna, em pouco tempo se manifestará.”

Impermeabilização dura até 25 anos

O Xypex Engenharia do Concreto por Cristalização, ou simplesmente cristalização, é uma outra modalidade de impermeabilização, proteção e recuperação de estruturas de concreto disponibilizada pelo mercado. Mais moderna, a tecnologia, desenvolvida pela a Xypex Chemical Corporation, do Canadá, permite a correção dos problemas de infiltração a partir de técnicas de injeção e de cristalização interna do concreto.

Agentes químicos diversos e catalisadores são induzidos e absorvidos pelo concreto, dando início, em seu interior, a reações químicas diversas que têm a capacidade de reagir com os compostos solúveis e subprodutos da hidratação do cimento, formando cristais não-solúveis nestes espaços capilares do concreto. “Consiste em um tratamento químico da estrutura que, aplicado no concreto, transforma-o em um material impermeável. O produto é um catalisador que preenche os poros do concreto com cristais não-solúveis quando a água entra em contanto com o concreto”, explicou o arquiteto e diretor da G-Maia Construtora, Gustavo Maia. Além da impermeabilidade, há, ainda, a realcalinização da estrutura, ou seja, o concreto restabelece a sua condição alcalina para prevenir a corrosão das suas armaduras, propiciando maior durabilidade.

Infiltrações ocorrem, ainda, através de trincas e fissuras. Em função das características da própria estrutura, estas trincas podem movimentar-se, o que faz com que seja necessário o tratamento com um sistema flexível. Para estes casos existem as injeções de poliuretano flexível. “Injetamos a resina flexível com pressão com a utilização de equipamentos específicos para preencher as trincas ou pontos de movimentação existentes no concreto”, contou Maia.

A grande vantagem desses processos é a de não se quebrar a área a ser impermeabilizada. Segundo o diretor da G-Maia Construtora, “a aplicação do produto é feita pelo lado negativo, ou seja, parte contrária a que a água está atuando”.

Há mais de vinte anos no exterior, a tecnologia é utilizada no Brasil há, aproximadamente, seis anos e, em Belo Horizonte, desde 1998. “No Brasil, a cristalização já foi empregada em diversas obras de infra-estrutura, como o Estádio do Morumbi e o Metrô de São Paulo, no prédio do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Minas Gerais (Crea-MG), além de ser sistematicamente utilizado pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).”

O engenheiro civil especializado em recuperação de estruturas, Élvio Mosci Piancastelli, optou pelo sistema de cristalização para empermeabilizar a área externa do Condomínio Edifício Cláudia, no bairro Santa Lúcia, em Belo Horizonte. Além de morador, Piancastelli presta assessoria técnica no condomínio. “Optei por esse sistema devido à menor relação custo-benefício, facilidade de manutenção em uma eventual necessidade futura e rapidez na conclusão do serviço. Agilidade na manutenção é importante em qualquer estrutura e em condomínios torna-se de maior relevância pela diversidade de interesses envolvidos”, destacou.

Fatores que podem causar a da infiltração

- Chuvas: a água penetra através da fachada ou cobertura.
- Condensação de vapor: é a passagem do estado gasoso para o líquido por abaixamento de temperatura ou elevação da pressão. Ocorre quando ambientes aquecidos, como banheiros, são totalmente fechados na hora do banho. O vapor produzido transforma-se em umidade, o que pode causar infiltração e mofo.
- Capilaridade: umidade pode penetrar pelas paredes da construção e invadir seu interior, quando a construção é realizada em solos muito úmidos.
- Danos ou rupturas em encanamentos
- Má vedação em janelas: quando a chuva ou umidade é sobre o local, a água entra pela greta.

Precauções ao se contratar serviços de impermeabilização


- Procurar referências sobre a capacidade técnica-financeira da empresa antes da contratação
- Exigir o direito da garantia
- Solicitar ao proponente uma listagem de obra executada com nome e telefone do cliente para checar sua satisfação
- Acionar o especialista em impermeabilização antes da execução total da estrutura para possibilitar adaptações que auxiliem no processo de impermeabilização
- Executar um projeto de impermeabilização que leve em conta os demais projetos
- Exigir uma proposta técnica que descreva os detalhes do tratamento
- Avaliar os processos pelo melhor custo-benefício e não pelo menor preço.
- Avaliar na solução proposta:
* Custo
* Durabilidade da solução
* Dificuldade/Facilidade de manutenção
- Fiscalizar a execução de forma a garantir que a execução esta de acordo com a especificação

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